quinta-feira, 29/10/2026

Da música pop ao sertanejo: como a publicidade se insere nas letras de grandes artistas

O aguardado show das Pussycat Dolls em São Paulo, marcado para o dia 30 de outubro, traz à tona uma reflexão sobre a relação entre a música e a publicidade, um tema que tem…

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O aguardado show das Pussycat Dolls em São Paulo, marcado para o dia 30 de outubro, traz à tona uma reflexão sobre a relação entre a música e a publicidade, um tema que tem gerado debates na indústria musical. A inserção de marcas em letras de canções já foi considerada uma tendência inevitável, mas a prática mostrou-se mais complexa do que se imaginava. Vamos relembrar cinco momentos significativos dessa trajetória.

O primeiro marco dessa discussão ocorreu em 2008, quando um e-mail enviando por engano pelo empresário Adam Kluger expôs sua intenção de vender espaços publicitários nas letras das Pussycat Dolls. O conteúdo das mensagens despertou a curiosidade da imprensa, mas, segundo Kluger, nenhuma música da banda foi comercializada. “A gente tem as celebridades e eles têm o dinheiro”, disse ele, resumindo uma lógica que parecia promissora, mas que ainda enfrentava desafios.

Em contrapartida, o rapper Flo Rida se destacou como um dos primeiros artistas a explorar essa estratégia. Com faixas como “Hey Jasmin”, que mencionava uma plataforma de webcam, e “Zoosk Girl”, dedicada a um aplicativo de namoro, Flo Rida conseguiu incorporar marcas em suas letras, mas a receptividade do público ainda era uma incógnita.

Apesar das expectativas criadas, a inserção de marcas nas músicas encontrou resistência no cenário pop internacional. Muitos críticos a consideraram um sinal da mercantilização exagerada da música. A indústria aprendeu que, enquanto o merchandising visual em videoclipes era aceito, transformar letras em vitrines sonoras não agradava aos fãs.

No Brasil, no entanto, a música sertaneja adotou essa prática de maneira eficaz, revelando um novo potencial de lucro. Gusttavo Lima, por exemplo, gerou mais de R$ 1 milhão ao citar o uísque Old Parr em “Zé da Recaída”. A dupla Zé Neto & Cristiano também explorou esse conceito de forma mais escancarada com a faixa “Alô Ambev”, que flerta com o jingle publicitário.

Atualmente, a venda de espaços publicitários em letras de músicas é uma prática rara. O que prevalece é a citação orgânica de marcas, como vemos em canções de artistas consagrados que mencionam produtos sem receber remuneração. Assim, ao invés de letras patrocinadas, as parcerias visuais em clipes e ações nas redes sociais se tornaram o foco das marcas. No fim das contas, a música ainda busca preservar sua essência, mesmo em um cenário onde a publicidade está cada vez mais presente.