A campanha eleitoral de 2026 trouxe uma nova faceta para os candidatos de direita, que começaram a adotar jingles de funk como estratégia para se conectar com o público jovem e ganhar visibilidade nas redes sociais. Apesar da ousadia, essa abordagem não conseguiu conquistar o apoio de artistas do gênero, resultando em críticas que apontam uma hipocrisia nas práticas desses políticos.
Candidatos como Eduarda Campopiano, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Flávio Bolsonaro foram vistos utilizando o funk em atos de campanha, com algumas das músicas mais tocadas no Spotify sendo canções de apoio ao candidato do PL. O ritmo, que tradicionalmente não se alinhava com a direita, passou a embalar as manifestações e eventos de campanha, criando uma conexão curiosa entre o gênero e a política conservadora.
O funk, que se tornou um hit entre os jovens eleitores do PL, teve suas letras adaptadas para promover mensagens de apoio ao candidato e críticas ao PT. Um refrão marcante que circulou nas redes sociais dizia: “Quem ficar parado é petista disfarçado”, incentivando a dança e a participação durante os atos.
Entretanto, essa aproximação com o funk levanta questões sobre a autenticidade dos discursos políticos. Muitos dos mesmos candidatos que agora utilizam o gênero em suas campanhas no passado criticavam o funk, associando-o a uma suposta “narcocultura” e a comportamentos que consideravam inadequados. A contradição se torna ainda mais evidente quando se observa que, em São Paulo, Pavanato, que é um crítico da cultura dos pancadões, celebrou sua vitória na Câmara ao som de funk.
O funk, que até então se mantinha apolítico, começou a se entrelaçar com a política a partir dos anos 2010, mas a polarização se intensificou nas eleições de 2018 e 2022, quando muitos MCs declararam seu apoio ao candidato petista. Contudo, em 2026, a situação se inverteu, com uma parte significativa da cena funk optando pelo apoio a Lula ou se mantendo neutra, mesmo diante do uso do gênero por candidatos de direita.
A justificativa dos políticos conservadores para essa exploração do funk é a alegação de liberdade criativa. Pavanato, por exemplo, defende que o problema não está no ritmo, mas nas letras. Essa visão, no entanto, gerou reações negativas entre artistas e fãs do gênero, que se sentiram desconectados das mensagens promovidas por esses políticos e criticaram a hipocrisia por trás da utilização do funk.
Assim, a relação entre o funk e a política continua a ser um campo de tensão e contradições, evidenciando que, para muitos, o gênero não pertence a nenhum lado, mas sim à cultura popular que deve ser respeitada e compreendida em sua totalidade.
Crédito da imagem: Funk de camapnha do Flávio viralizou entre os jovens



