quarta-feira, 04/11/2026

John Malkovich e Sam Rockwell destacam-se em ‘Cavalo Selvagem Nove’, uma obra marcada pela melancolia.

Em “Cavalo selvagem nove”, a nova obra do cineasta irlandês Martin McDonagh, dois espiões da CIA de gerações distintas atravessam uma paisagem vibrante, enquanto refletem sobre temas universais como a vida e a morte,…

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Em “Cavalo selvagem nove”, a nova obra do cineasta irlandês Martin McDonagh, dois espiões da CIA de gerações distintas atravessam uma paisagem vibrante, enquanto refletem sobre temas universais como a vida e a morte, e a amizade que os une. Embora a fórmula narrativa de McDonagh possa parecer repetitiva, o charme de seus diálogos e a profundidade das atuações tornam o filme uma experiência envolvente e memorável.

Estreando nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), a produção já se destaca como uma forte candidata ao Oscar de 2027, especialmente pela performance do respeitável John Malkovich, que pode finalmente conquistar sua primeira estatueta. Acompanhado de Sam Rockwell, que já ganhou o prêmio de ator coadjuvante por “Três anúncios para um crime”, Malkovich traz à vida um espião carismático e politicamente incorreto, que, apesar de sua trajetória sombria, evoca uma estranha empatia.

A dualidade de Malkovich e Rockwell, que formam uma “dupla improvável”, remete a outras parcerias memoráveis da filmografia de McDonagh, como Colin Farrell e Brendan Gleeson em “Na mira do chefe”. No entanto, neste filme, a interação entre os protagonistas é marcada por uma ternura que suaviza as farpas típicas do humor irlandês, criando um contraste interessante com a energia ensolarada da Ilha de Páscoa, local onde a narrativa se desenrola.

O roteiro explora a última missão dos espiões, ambientada pouco antes do golpe militar no Chile, em 1973, e traz à tona questões sobre legado e arrependimento. O personagem mais velho, lidando com uma saúde debilitada, irrita seus superiores ao expor suas memórias publicamente — uma atitude considerada inaceitável no cenário da intriga internacional.

Graças à cinematografia iluminada de Ben Davis e à montagem ágil de Mikkel E. G. Nielsen, o filme se eleva e conquista o público, mesmo que não alcance a profundidade de obras anteriores. Os diálogos incisivos de McDonagh, ditos por atores como Malkovich e o frequentemente subestimado Steve Buscemi, criam uma urgência que ressoa fortemente no contexto atual, refletindo sobre intervenções externas em países como Venezuela e Brasil.

A transição de Farrell e Gleeson para Malkovich e Rockwell, que parecia improvável, prova-se acertada, sugerindo que a repetição de uma fórmula pode ser válida, desde que novas parcerias continuem a ser exploradas. “Cavalo selvagem nove” não apenas entretém, mas também desafia o espectador a refletir sobre as complexidades da moralidade e da amizade, em um cenário que, embora fictício, ecoa realidades contemporâneas.