Benito Di Paula, um dos ícones da música brasileira, faleceu no último dia 18 de outubro, aos 84 anos. O velório do artista ocorre hoje, 20 de outubro, no Theatro Municipal de São Paulo, aberto ao público das 9h às 15h. A sua partida gerou uma onda de reconhecimento tardio, que ele não teve a oportunidade de vivenciar em vida.
Nos últimos anos, a obra de Benito começou a ser reavaliada, com tributos como “Benito 80” (2022), que contou com interpretações de artistas contemporâneos como Criolo e João Bosco. Além disso, sua contribuição para a música foi celebrada pela escola de samba Águia de Ouro durante o Carnaval de São Paulo em 2025. No entanto, essa redescoberta da importância de Di Paula contrasta fortemente com a indiferença que ele enfrentou ao longo de sua carreira.
É inegável que Benito Di Paula foi um artista inovador, mas sua música, que misturava samba com influências latinas e um toque de sofrência, foi muitas vezes subestimada por críticos que o viam como um outsider no universo do samba mais tradicional. O artista, que encantou o Brasil a partir da década de 1970, precisava de um reconhecimento que só chegou com sua morte. As flores que recebeu durante sua vida foram escassas, e sua verdadeira importância parece ter sido ofuscada por um elitismo cultural que frequentemente marginaliza vozes autênticas.
A ausência de homenagens formais a Benito, como um prêmio significativo ou uma celebração mais ampla de sua obra, levanta questões sobre o papel da crítica e da indústria musical na valorização de artistas que não se encaixam em moldes convencionais. O que resta é a ironia de que a aclamação e a reverência muitas vezes chegam apenas após a perda, como se o verdadeiro valor desses artistas só pudesse ser reconhecido na sua ausência.
É provável que, agora, surjam novos álbuns e shows repletos de suas canções, realizados por aqueles que, em vida, não deram a devida atenção ao seu gênio. Esta é uma triste realidade do mundo da música, mas que deveria ser repensada. Benito Di Paula merecia ser celebrado em vida, não apenas lembrado na nostalgia da saudade.



