O samba “Com que roupa?”, uma das composições icônicas de Noel Rosa, ganha uma nova roupagem quase um século após sua criação. O artista carioca Daniel Lopes, que atualmente reside em Lisboa, traz essa obra-prima de 1929 para o fechamento de seu mais recente álbum, “Já que veio, fica pra dançar”, lançado no dia 16 de outubro de forma independente.
Com uma abordagem inovadora, Lopes incorpora elementos da inteligência artificial em suas produções, como evidenciado na faixa “Eclipse total”, que conta com a participação do cibernético Fausto Fawcett. Entretanto, o artista não se limita ao virtual; ele também promove colaborações presenciais, como a do cantor Chico Chico na canção “E tudo mais”. A mistura de vozes humanas e artificiais é uma constante no álbum, especialmente em “Amor, mistério e dor”, que traz arranjos criados com o auxílio de IA.
O álbum é um verdadeiro mosaico de colaborações, reunindo artistas como Anna Ratto em “Quero saber”, Lia Sabugosa, uma das intérpretes do clássico “Como nossos pais”, e Jorge Vercillo em “Quatro elementos”, que aborda temas espirituais. Outro destaque é “Moacir in blues”, que liga o legado do saxofonista Moacir Silva ao seu neto, o baixista Jorge Ailton, criando um diálogo entre gerações.
Antes de sua mudança para Portugal, onde se dedica a projetos musicais que transitam entre os mercados europeu e brasileiro, Daniel Lopes foi o vocalista da banda Reverse nos anos 2000 e fez parte do trio Les Pop, que deixou sua marca na cena indie com o aclamado álbum “Quero ser cool”, lançado em 2011. Sua carreira solo também é notável, com discos como “Bonito” e “Input relâmpago”, que consolidaram sua trajetória como um dos nomes relevantes da música contemporânea.



