Nikolas Ferreira, deputado federal por Minas Gerais e membro do PL, protagonizou uma nova polêmica ao acusar o cantor Rubel de tentar silenciar sua voz no Instagram. A Meta, empresa responsável pela plataforma, retirou o áudio de um vídeo postado por Ferreira após uma solicitação de direitos autorais, que segundo investigações do g1, teria sido feita pelo próprio Rubel, autor da música “Grão de Areia”.
O vídeo, intitulado “O Nordeste que foi esquecido”, traz entrevistas de moradores de Mundo Novo, na Bahia, abordando a atuação do governo do PT na região. Publicado na terça-feira (20), o conteúdo utilizava a música de Rubel como trilha sonora, mas logo na manhã seguinte, o áudio foi retirado, gerando reações acaloradas do deputado.
Em resposta à remoção, Ferreira não poupou críticas e rotulou Rubel de “covarde”, argumentando que a ação foi um ataque à expressão de nordestinos. “Ninguém mais pediu, só ele… No fim, um petista calou a voz dos nordestinos. Nada mais simbólico”, disparou o parlamentar, que vê a situação como um ato de censura vinculado à posição política do cantor.
A Meta, em nota, limitou-se a confirmar que o áudio foi removido devido à solicitação de direitos autorais, mas não revelou a identidade do reclamante. Rubel, até o momento, optou por não se pronunciar sobre a situação.
Por sua vez, Xande de Pilares, outro intérprete da canção, esclareceu que a autorização para o uso da música em plataformas digitais não cabe a ele, mas aos titulares dos direitos autorais. O g1 também tentou contato com os compositores da música, Tó Brandileone e Ana Caetano, além da Sony Music, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
A música “Grão de Areia” foi lançada no álbum “AS PALAVRAS, VOL. 1 & 2” de Rubel, em março de 2023, e já acumula cerca de 48 milhões de reproduções no Spotify. Este caso levanta questões importantes sobre direitos autorais e a liberdade de expressão nas redes sociais, uma vez que a Meta destaca em suas diretrizes que a remoção de conteúdos pode ocorrer sem aviso prévio, mesmo que o criador do conteúdo não tenha a intenção de infringir os direitos autorais.
Enquanto Nikolas Ferreira não informou se apresentará um recurso contra a decisão da Meta, o episódio se torna mais um capítulo na complexa interseção entre arte, política e as regras das plataformas digitais.



