Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, a música se tornou um reflexo fascinante da polarização política no Brasil. Das 50 faixas mais populares do Spotify neste domingo (25), seis eram ligadas ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), evidenciando o papel da música na mobilização e no debate público.
O resultado eleitoral foi confirmado no dia 26 de outubro, mas os números do Spotify já mostravam uma clara preferência por canções que apoiavam Bolsonaro ou criticavam o PT, com essas músicas acumulando cerca de cinco milhões de streams. Entre as 200 mais ouvidas, 15 eram de temática política, com destaque para o funk, que se consolidou como um importante veículo de expressão para a juventude bolsonarista.
Um exemplo notável é a letra de uma das músicas que se destacou nas manifestações: “Quem ficar parado é petista disfarçado”, que incentivava a dança e a participação em atos de campanha. Flávio Bolsonaro até dançou ao som de funk em eventos, como em Vitória (ES), onde foi acompanhado por aliados, incluindo o deputado Nikolas Ferreira.
Na lista das músicas mais ouvidas, faixas como “Solinho do PT”, “Tropa do Capitão” e “Funk Nikolas Ferreira” figuraram entre as mais populares, refletindo a criatividade dos compositores em adaptar a cultura pop ao contexto político. Essa tendência é apoiada por Filipe Pinheiro e Ismael Brazzao, criadores de jingles políticos que também têm contribuído com suas composições para o sertanejo.
Por outro lado, apenas uma música associada à vitória de Lula, “Vai Dar PT”, alcançou o top 50, ocupando a 49ª posição. Essa faixa já tinha sido um sucesso em sua campanha anterior, em 2022, o que demonstra a continuidade de seu apelo. Além dela, clássicos como “Apesar de Você” de Chico Buarque e “Vermelho” de Fafá de Belém ainda ressoam entre os apoiadores da esquerda, mas não conseguiram alcançar o mesmo nível de popularidade recente que as músicas de apoio a Bolsonaro.
Essa dinâmica musical não apenas ilustra as tensões políticas que permeiam a sociedade brasileira, mas também revela como a arte pode ser utilizada como uma ferramenta de engajamento e protesto. À medida que o Brasil se divide entre diferentes visões de futuro, a trilha sonora da política continua a evoluir, moldando e sendo moldada pelos eventos atuais.



